Outubro
Rosa
Interesse
pelas mamografias deveria ser maior entre as mulheres
Em
Lages há um diferencial frente ao restante do Estado, pois há demora para que
as pacientes façam o diagnóstico. No Centro de Pesquisas Oncológicas (Cepon)
praticamente não há filas quando a paciente já tem o diagnóstico de câncer
Com
atenção à valorização da mulher em tratamento do câncer de mama, o Outubro Rosa
deste ano tem prosseguimento em Lages com amplo engajamento. A noite desta
quinta-feira (9) foi especial para dezenas de mulheres convidadas a participar
de uma palestra na Associação Empresarial de Lages (Acil), com o mastologista,
Fernando Vequi Martins, atuante nas redes pública e privada. “Percebemos que a
cada outubro existe uma mobilização maior, mas, por outro lado, notamos que
ainda há muito por fazer. Ainda há muita desinformação. Muitas pacientes
alimentam mitos em suas cabeças e acabam perpetuando estes conceitos
equivocados. Este é o grande problema quando se fala em prevenção”, alerta o
especialista, enfatizando seu dever social de poder, através dos
esclarecimentos em linguagem popular, ajudar a salvar vidas.
O
médico abordou como foco principal a prevenção; faixa etária em que a mulher
deve começar a se prevenir; os principais fatores de risco; faixa etária mais
acometida; tratamento; sintomas; comprovação, por intermédio de dados, que o
diagnóstico precoce salva vidas, e a visão do empregador, com estímulo à
prevenção para as funcionárias e a redução de custos gerada com o diagnóstico
precoce. “A paciente faz tratamentos menos mutilantes, fica menos tempo
afastada do trabalho e volta à ativa mais rapidamente. Estrategicamente, onera
menos a empresa e gera o benefício humano e social”, analisa o médico.
Das
79.423 mulheres em Lages, 39.712 têm 40 anos ou mais. Para haver cobertura
plena, seria necessário realizar 3.310 mamografias por mês, mas efetivamente
são feitos somente 20% do ideal.
Cuidar-se,
cura
A
incidência do câncer de mama é mais comum em mulheres a partir dos 50 anos e a
idade média, 58. Independentemente de qualquer fator de risco, recomenda-se a
realização de prevenção a partir dos 40 anos. Quando há histórico familiar de
primeiro grau as mulheres devem começar a fazer mamografia aos 25. Entre 50 e
69 anos, o exame deve ser feito a cada dois anos. Quando descoberto em fase
inicial, este tipo de câncer tem chances de cura bem próximas a 100%. Os
tratamentos são cirurgia, quimioterapia, radioterapia e hormonoterapia. Há
casos em que se faz necessária a mastectomia (retirada do seio).
Em
Lages há um diferencial frente ao restante do Estado, pois em Santa Catarina há
demora para que as pacientes façam o diagnóstico. No Centro de Pesquisas
Oncológicas (Cepon) praticamente não há filas quando a paciente já tem o
diagnóstico de câncer. “O grande problema é quanto tempo a mulher levou para
fazer este diagnóstico. Entre apresentar a alteração, fazer o exame, chegar ao
especialista, ser ‘biopsiada’ e ter o diagnóstico, levará menos de trinta dias,
mas a Lei exige 60 dias. Na nossa região temos esta particularidade
privilegiada”, comemora Vequi.
No
Brasil
A
incidência do câncer de mama aumenta a cada ano no Brasil. Os Estados Unidos
(EUA) contam com 260 milhões de habitantes, onde há 250 mil novos casos de
câncer de mama a cada ano, enquanto, no Brasil, há cerca de 200 milhões e
surgirão 57.210 novos casos neste ano. “Estimular a prevenção não evitará que a
mulher tenha câncer, mas fará com que ela descubra no seu começo e se curar
muito mais do que aquelas que não fazem prevenção”, avisa o mastologista.
Em
Lages, em um ano, foram feitos 35 diagnósticos de câncer na rede pública e, na
privada, em torno de 30 casos para cada um dos dois mastologistas que atendem
pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Portanto, Lages deve ter cerca de 100 novos
casos por ano. Em Santa Catarina, são 1.800, um Estado com cerca de seis
milhões de habitantes. “Na relação por número de habitantes, Santa Catarina é
um dos Estados onde há maiores diagnósticos de câncer de mama, diferentemente
de outras regiões, onde mulheres morrem sem saber o que tinham.”
A
importância de um centro exclusivo
O
Centro de Assistência à Saúde da Mulher (Ceasm), em Lages, se tornou referência
nacional. “Antes nós éramos um departamento dentro de uma Policlínica e agora
estamos mais visados. As pacientes têm mais facilidade de acesso. O Ceasm
realiza agendamento de consultas e exames”.
A
presidente do Núcleo da Mulher Empreendedora, da Acil, Janelise Royer dos
Santos, lembra que este é o segundo ano de participação do Núcleo na campanha.
Em 2013, o foco foi a prevenção. “Este ano o tema é a valorização da mulher em
tratamento do câncer, pois muitas delas acabam se inibindo, se retraindo e se
escondendo justamente por estar com a doença. E quando falamos em prevenir,
estas pacientes acabam se culpando. Elas precisam de valorização por sua
batalha diária pela vida e fé ao encarar os tratamentos.”

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